segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fama.Dinheiro e Salvação.

Texto Próprio. Publicado no Espaço Entre Amigos.
Três Desejos, Três Escravos, Três Senhores.

Faz muito tempo que temos sido ensinados que os seres humanos são seres incompletos. Uma incompletude que deve ser sublimada agora ou em um tempo futuro. Não importa. O que importa para os intermediários dos desejos é que essa idéia de incompletude seja assimilada pacificamente; sem resistência física ou intelectual. Para os intermediários é inadmissível que o ser humano seja concebido como um ser completo em si mesmo; que seja um templo completo.
Por que estamos a falar sobre isso?
Vamos tomar os acontecimentos atuais e dissecá-los à luz desse entedimento..
Uma grande empresa de televisão, há vários anos, tem se apresentado como aquela que pode ser a ponte entre o sujeito comum e o mundo da fama, do sucesso rápido e da “loucura” desenfreada. Essa grande empresa sempre esteve nos bastidores de todos os acontecimentos políticos da história brasileira e foi a grande beneficiada pela ditadura militar. Esta gangue busca dirigir suas ações sabendo que milhões de pessoas sentem o desejo de serem admiradas e aclamadas como atores de um mundo fantástico e globalizante. O desejo de ser o centro das atenções e de estar à parte do mundo dos mortais. O desejo de ser o globo ao invés de ser apenas um ponto no mapa. Existe esse desejo e existe quem venda a realização dele.
Por outro lado percebe-se latente nos sujeitos o desejo de conseguir elevação financeira de maneira instantânea. Inteligentemente, o dono de um outro sistema de televisão descobriu que oferecendo essa oportunidade de maneira muito barata, tirando apenas um real do bolso de cada brasileiro, ele poderia ficar milionário. E assim o fez, vendendo ilusões para sonhos de grandeza.
Como terceira situação, mais recentemente, uma quadrilha se apresentou como a ponte entre o desejo de salvação e o próprio Salvador. E para esta terceira empresa não importa o que você fez ou o que você faz. Importa quanto você pode pagar para ser salvo, visto que você é um ser incompleto. Visto que você precisa ser salvo para ser completo. Então é importante que você seja um pecador, porque só assim eles podem coexistir com a sua incompletude.
O que se observa no cenário midiático atual é um embate entre duas grandes empresas perniciosas para a visão integral do homem. Tanto a primeira quanto a terceira buscam legitimar a posição de intermediária entre o eu e aquilo que eu deveria ser, segundo a suposição dessas empresas. Entretanto essa lacuna que eles alegam existir é um discurso elaborado para um aprisionamento. É um discurso ocidental aprisionante.
Aquilo que o sujeito precisa está dentro dele mesmo: suas potencialidades e energias já foram dadas por Deus, sem intermediários. Sob este ponto de vista, então, só há um pecado: estar desatento para aquilo que somos e fazemos; estar afastado da consciência. Assim, os pecados anteriormente descritos não seriam pecados e sim alienação.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pais de crianças em UTIs precisam de apoio psicológico


Estudo realizado em Londres identificou angústia significativa e persistente entre pais e mães com filhos em uma unidade de tratamento intensivo (UTIs), que deveriam receber apoio em curto e longo prazos para lidar com a situação.

Pais e mães de crianças internadas em unidades de tratamento intensivo (UTIs) apresentam angústia significativa e persistente, concluiu estudo inglês realizado por pesquisadores do St George's Hospital, em Londres. Os resultados identificaram também que havia uma diferença de gênero: os pais entrevistados, quando comparados às mães, relataram diferentes estratégias de coping (maneira de lidar com os problemas), passaram menos tempo na unidade hospitalar e apresentaram probabilidade menor de relatar medo de que seus filhos morressem.

Segundo artigo sobre o estudo, publicado em abril na revista científica Intensive and Critical Care Nursing, participaram do estudo 32 mães e 18 pais de crianças admitidas, oito meses antes, em uma unidade de tratamento intensivo pediátrico. Todos os participantes foram submetidos a uma entrevista semi-estruturada, que teve o áudio gravado e transcrito.
A análise do conteúdo, realizada posteriormente, mostrou que as questões mais significativas relacionadas à internação citadas pelos pais e mães incluíram a força da lembrança do momento da admissão na UTI, a intensidade da aflição associada aos períodos de mudança e o impacto duradouro da situação (ter o filho na UTI), relacionado à necessidade presente de proteger seus filhos e às demais prioridades de suas vidas.

“Pais e mães relatam angústia significativa e persistente. É necessária uma pesquisa adicional sobre qual seria a melhor maneira de apoiá-los em curto e longo prazos”, concluem Colville G e colegas do serviço de psicologia pediátrica do St George's Hospital, responsáveis pela pesqusa.


Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

UM POUCO DE GESTALT... Afinal este blog é democrático!

A palavra Gestalt (plural Gestalten) é um termo intraduzível do idioma alemão para o português. O Dicionário Eletrônico Michaelis apresenta como possibilidades as palavras figura, forma, feição, aparência, porte; estatura, conformação; vulto, às quais ainda se pode acrescentar estrutura e configuração.
PSICOLOGIA DA GESTALT
Aproximadamente a partir de 1870 alguns pesquisadores alemães começaram a estudar os fenômenos perceptuais humanos, especialmente a visão. Seus estudos procuravam entender como se davam os fenômenos perceptuais, tendo se utilizado em grande parte deles, de obras de arte. Queriam entender o que ocorria para que determinado recurso pictórico resultasse em tal e tal efeito. A estes estudos convencionou-se denominar de Psicologia da Gestalt ou Psicologia da Boa Forma. Seus expoentes mais conhecidos foram Kurt Koffka, Wolfgang Köhler e Max Werteimer. Criaram as Leis da Gestalt relativas à percepção humana, que até hoje se mantêm válidas.
GESTALT-TERAPIA
Fritz Perls (1893-1970), considerado o pai da Gestalt-terapia, foi um médico alemão interessado em princípio em neurologia e depois em psiquiatria. Por conta disto se aproximou da Psicanálise, tendo se tornado psicanalista. Antes de se decidir pela medicina, havia considerado a possibilidade de se tornar ator. De temperamento irrequieto, intempestivo e muito criativo, foi desenvolvendo a sua visão de psicanálise, tendo em curto espaço de tempo conseguido muitas inimizades e, por fim, sua expulsão da Sociedade de Psicanálise. Nesta época foi analisando de Wilhelm Reich. Chegou a ter um encontro com Freud, a partir do qual rompeu definitivamente com a Psicanálise. Por ser judeu, imigrou em 1936 para a Johanesburgo na África do Sul com sua esposa Lore, onde fundou um Instituto de Psicanálise. Em 1946 imigrou para os Estados Unidos, tendo se fixado em New York.
Nesta época encontrou seu grande parceiro, Paul Goodman, com quem em 1951 publicou em co-autoria com Ralph Hefferline o livro “Gestalt Therapy - Excitement and Growth in Human Personality”, a primeira aparição pública do termo Gestalt-terapia. Por esta época até a sua morte em 1970, Fritz Perls, sua esposa Lore e Paul Goodman, além de outros autores que paulatinamente foram se juntando a eles, constituiram a Gestalt-terapia a partir de fontes como a Psicologia da Gestalt, Fenomenologia, Existencialismo, Teoria Organísmica de Goldstein, Teoria de Campo de Lewin, Holismo de Smuts, Psicodrama de Moreno, Reich, Buber e, por fim, a filosofia oriental (para maiores detalhes, leia o artigo “Os 50 Anos da Gestalt-terapia” na seção “Textos”.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Fronteiras do PENSAMENTO


Steven Pinker: a psicologia é a engenharia reversa do pensamento humano

O linguista abriu a série 2009 do Fronteiras do Pensamento na noite desta segunda-feira
Em um Salão de Atos da UFRGS lotado, o linguista e psicólogo canadense Steven Pinker abriu nesta noite a série 2009 do Fronteiras do Pensamento. Pinker trouxe a Porto Alegre suas ideias que casam psicologia, informática e engenharia, pois para o linguista, a psicologia é a engenharia reversa do pensamento humano.
Com tiradas bem-humoradas de um conferencista experiente, Pinker se propôs provar com exemplos precisos que uma das mais cotidianas experiências humanas é na verdade um milagre: a linguagem, que todos usam sem dar por isso, é resultado de um processo de engenharia tão complexo que nenhum artefato humano conseguiu replicar uma memória privilegiada e o uso criativo de regras básicas.
Pinker apresentou um apanhado dos quatro livros que já publicou no Brasil: O Instinto da Linguagem (pela Martins Fontes), Como a Mente Funciona, Tábula Rasa e Do que é feito o pensamento (estes três da Companhia).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

UM POUCO DE REICH

REICH E O CORPO
Reich morreu presoReich nasceu no então Império Austro-húngaro, em sua parte mais oriental, numa família sem muitas posses e numa pequena vila. Era filho de Leon e Cecília Reich. Ainda jovem, mudou-se para Bukovina, onde o pai administrava uma fazenda. Teve nacionalidade austríaca até 1938, e falava o idioma alemão.
Em 1914 o pai morre de pneumonia (a mãe já tinha falecido em 1910) e Reich cuida da fazenda, ao tempo em que prossegue os estudos - mas no ano seguinte a fazenda é destruída durante os conflitos da I Guerra Mundial, e Reich alista-se no exército austríaco.
Em 1918, com o fim dos conflitos, Reich ingressa no curso jurídico da Universidade de Viena, mas logo transfere-se para a Faculdade de Medicina. Formando-se em 1923, inicia seus trabalhos com o tratamento de pacientes com distúrbios mentais, na Universidade Neurológica e Psiquiátrica, junto a Paul Schilder. Inclui no tratamento técnicas de hipnose e de psicoterapia.
Em 1924, faz sua pós-graduação, sendo membro integrante da sociedade psicanalítica de Viena, até 1930. Foi casado com Annie Reich, de que separou-se em 1932, vivendo com Elsa Lindenberg, com quem veio a casar-se em 1939.
Em 1933 é forçado pelo nazismo a sair da Alemanha, mudando-se para Oslo, na Noruega, laborando no Instituto de Psicologia da universidade local. Ali vive até 1939, quando muda-se para Nova York, cuidando de divulgar suas idéias, agora na língua inglesa, tendo seu "A função do orgasmo" sido neste idioma publicado a primeira vez em 1942.
Nos Estados Unidos Reich cria um instituto para o estudo do "orgônio universal", que intenta utilizar em tratamentos - inclusive do câncer.
Reich dava grande ênfase à importância de desenvolver uma livre expressão dos sentimentos sexuais e emocionais dentro do relacionamento amoroso maduro. Reich enfatizou a natureza essencialmente sexual das energias com as quais lidava e descobriu que a bioenergia era bloqueada de forma mais intensa na área pélvica de seus pacientes.
Ele chegou a acreditar que a meta da terapia deveria ser a libertação dos bloqueios do corpo e a obtenção de plena capacidade para o orgasmo sexual, o qual sentia estar bloqueado na maioria dos homens e das mulheres.
Onde quer que fosse, Reich era tratado como louco, e suas idéias como pura mistificação. Seus seguidores atribuem a prisão, bem como as anteriores perseguições, a uma eventual conspiração da sociedade freudiana. Em 1954 passa a ser investigado pela FDA (Federal Food and Drug Administration), que lhe rende um processo e posterior aprisionamento, após infrutíferas tentativas de apelação. Encarcerado desde 12 de março de 1957, morre de ataque cardíaco em 3 de novembro.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Cuidado com a TV.

PSICÓLOGO ALEXANDRE BEZ ALERTA QUE ASSITIR MUITA HORAS TV PODE INDICAR ANSIEDADE MOTIVADA POR FUGA DIANTE DA SOCIEDADE



No comportamento de fuga, a pessoa se esconde dos seus problemas, substituindo o foco por algo mais fácil e prazerosa, no caso a TV

Segundo um estudo feito por sociólogos americanos, chegou-se a conclusão que pessoas infelizes assistem mais televisão, enquanto pessoas que se consideram felizes lêem mais e têm vida social mais ativa. O trabalho foi publicado na edição de dezembro da revista científica Social Indicators Research. Os pesquisadores, da Universidade de Maryland, na cidade de Baltimore, basearam suas conclusões em pesquisas realizadas ao longo de 30 anos nos Estados Unidos.

O psicólogo Alexandre Bez, especializado em ansiedade e síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia - UCLA e em relacionamento pela Universidade de Miami, na Flórida, concorda com a pesquisa realizada e acrescenta que muitas vezes as pessoas depressivas não conseguem enxergar que utilizam a TV para driblar os reais problemas. "Elas acreditam que o hábito é apenas uma distração", diz Alexandre.

De acordo com o especialista, a tendência é que pessoas sedentárias e infelizes se submetam a esse tipo de atitude, que a psicologia chama de comportamento de fuga. Situação em a pessoa foge dos seus problemas, substituindo o foco por algo mais fácil e prazerosa, no caso a TV.

Mas por que a TV?

Para Bez, o motivo pelo qual a TV se torna um "fiel amigo" está no fato de que ela pode refletir as fantasias e de cada um, permitindo que se sintam acolhidos. "Temos exemplos de mulheres que sonham em se casar e que são vidradas em assistir filmes românticos de histórias com final feliz", explica Bez.

Há também as pessoas que são felizes, mas utilizam a TV para preencher pequenas lacunas que estão faltando em suas vidas. "É bom lembrar que a felicidade é um conjunto imenso de situações e sentimentos atrelados a uma série de fatores comuns da vida", diz.

Ainda segundo o especialista, nem sempre conseguimos realizar todos os nossos desejos. O que não devemos é recorrer drasticamente à TV na tentativa de nos realizarmos através dela e, mais importante que isso, não nos isolarmos do mundo real.

Uma pessoal madura emocionalmente terá mais prazer em ver a TV ao lado de um amigo ou companheiro (a), do que sempre sozinha isso em virtude de sua consciência sobre o que lhe traz maiores benefícios. Sabe que necessita buscar meios reais como trabalhar, estudar e relacionar-se para realizar seus sonhos, explica o psicólogo.[14]

Fobia social

Muitas pessoas que se sentem sozinhas, e não tem sequer um animal de estimação, se refugiam em frente à TV na esperança de uma companhia absoluta e eterna. Essas pessoas podem sofrem de uma doença muito comum nos dias de hoje, a fobia social.

Essa patologia se dá pelo excesso de ansiedade ou medo ao ser observado durante o desempenho de alguma tarefa comum como falar, comer, escrever e até mesmo se relacionar na sociedade.

As pessoas devem ficar atentas se o ato de assistir TV não se tornou algo primordial, passivo em sua vida. Como a vontade de estar dentro da TV e tornar-se o personagem do filmes, histórias ou novelas.

Dicas para manter-se longe do drama da TV:

- Não faça do ato de assistir TV um ato primordial em suas tarefas diárias;

- Procure não perder o contato com amigos e sempre busque relacionar-se;

- Assista TV no máximo 4 horas por dia;

- Busque outros tipos de atividades, como praticar esportes, trabalhos manuais, aulas de dança, leitura de livros e etc.

- Procure alguém de sua confiança para relatar alguma ansiedade ou desejo.

Religião

Escrevi isto em uma Intranet, no espaço chamado Entre Amigos.
"Penso, existindo, que não nos basta somente destacar os aspectos negativos das mais diversas igrejas. Não somente aquilo que elas fazem, mais pensar à respeito daquilo que elas poderiam fazer para colocar o homem novamente em seu centro. O que se espera dizer com isso? Dizer que seria preferível que as instituições promovam uma reintegração do sujeito fragmentado em corpo, mente e espírito! Enfatizar, nos dogmas, uma fragmentação do sujeito, parece ser uma eterna prisão onde as chaves se encontram nas mãos dos dogmáticos. Muitas das respostas que o sujeito busca não são externas, mas estão latentes dentro dele mesmo. Tirar essa possibilidade de auto-conhecimento soa como um roubo feito na madrugada. Há ainda um fato de extrema importância que devemos ter em mente: Religião é uma institucionalização das espectativas projetivas de grupos sociais. Religiosidade é uma manifestação da subjetividade individual desvinculada de um mediador, direcionada para um bem-estar "espiritual". Logo, há de se ter um certo cuidado ao declararmos que certas coisas não se discutem."