Sétimo lugar em exportação mineral – Não seria Exploração e Miséria?
Nas minhas idas à panificadora do meu bairro, por curiosidade, folheei um jornal, que circulava no período de 1º a 7 de novembro de 2008, e me surpreendi, ao ler o caderno 2 do semanário, com a manchete “Amapá é o sétimo colocado no ranking de exportações minerais”. Foi o suficiente para eu adquirir o periódico, não pelo conteúdo do artigo que se limitava a divulgar dados do Instituto Brasileiro de Mineração – Ibram, mas, sobretudo, para produzir esta reflexão.
Sinceramente, uma informação de tamanha grandeza não deveria ser manchete tímida de um caderno 2 de um jornal de circulação semanal. Registre-se meu respeito ao semanário que a publicou. No entanto, creio como cidadão deste rincão Tucuju, que a mesma deveria estar estampada nas primeiras páginas dos principais diários do Estado (inclusive do semanal), ser chamada das mídias televisiva e radiojornalista e, sobretudo, ocupar os principais noticiários nacionais, haja vista que o Amapá, em geral, só integra a esses quando se trata de tragédias. Mas, por que então não se deu tal importância à esta informação: o Amapá é sétimo colocado em exportações de minerais? Será que temos vergonha dos dados que elevaram esta UF a tal patamar produtivo? Nossos governantes estão escondendo algo?
Esta nobre colocação no ranking nacional, segundo o Ibram, equivale às produções dos últimos anos, ou seja, não guarda nenhuma relação com a época áurea de produção de Manganês. Perdoem-me pelo uso enfático do termo “época áurea”, mas, sinceramente, é isto que sinto quando me recordo do passado recente e o comparo com o presente, julgado e tido como produtivo pelas autoridades constituídas deste Estado. Lembro-me, no início dos anos 80, quando visitava o Município de Santana com minha saudosa avó, e me fascinava aquela que se denominava Vila Amazonas. Recordo-me da minha primeira viagem à Serra do Navio em 93 (últimos anos da exploração do Manganês), e tenho viva a lembrança de uma Cidade limpa, organizada, com hospital e tratamento de água e esgoto de altíssimo nível. Creio que você leitor agora entendeu minha euforia.
Para reforçar a linha reflexiva deste artigo, sem nenhum saudosismo do regime de governo à época, mas, sendo justo com a política de controle, é importante lembrar que antes de iniciar a exploração do Manganês a concessionária (ICOMI), preparou toda a infra-estrutura, inclusive urbana, para receber seu corpo funcional, desde o operário menos graduado até o seu staff, da moradia ao clube de lazer, do supermercado à escola, sem falar na atenção à Saúde, pois o Amapá, especificamente Serra do Navio, já teve Hospital de referência Nacional.
Se àquela época, quando eu nunca ouvir falar em ranking de exportação, se teve toda essa preocupação com o trabalhador, agora, que somos o “sétimo colocado em exportações de minerais”, naturalmente, a atenção ao ser humano está muito melhor, afinal, dos 26 Estados Brasileiros, somos o sétimo colocado, uma posição invejável, ao considerarmos que 19 – mais o DF 20, estão atrás de nós. Então todos hão de concordar comigo que esta informação deveria estar estampada nos principais noticiários locais e nacionais. Imagino que quem leu a matéria do semanário (que circula no Pará e em São Paulo – segundo informado no crédito), está curioso para conhecer o Amapá, o sétimo colocado. Mas, por que não ocupamos as notícias? O que querem esconder nossos governantes?
L. Simões de Brito-(*) Professor Auxiliar IV, do quadro efetivo e permanente, da Universidade Federal do Amapá.
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